segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Será?

Falava com meu primo, Raphael, dos primeiros a visitar este espaço e ele, crítico e sincero com sempre - duas belas qualidades - mandou a seguinte, via msn: "tristeza não tem fim... felicidade, sim".

Será?

Teria ele razão e estaríamos nós imersos num mundo que nos coloca numa posição em que a tristeza não teria fim e a felicidade, que para muitos é a mola propulsora da humanidade, estaria com seus dias contatos, digo, teria um prazo de validade? Um início, meio e fim? Introdução, desenvolvimento e conclusão? Como uma redação?

Será?

A vida então é uma eterna tristeza com hiatos de felicidade?

Seis palavras proferidas por ele, numa casual conversa virtual, mas que me fizeram parar para pensar e escrever estas linhas, mal traçadas, talvez - Rapha disse que preferia Vinícius (!!!). Graças ao bom Deus que ele assim prefere, pois nem de longe me comparo ao famigerado poeta; ao contrário, estou a ler um livro de poemas por ele escrito e o questionamento do "Essa eu ainda toco...", mais uma vez, me veio à cabeça: "O que leva alguem a escrever isso?" Respondo: GENIALIDADE, algo anos-luz à frente da minha simplória boa vontade ao aqui escrever.

Mas voltemos à felicidade x tristeza.

Será?

Não tenho como responder, mesmo porque o que foi por Raphael dito, está revestido de toda uma subjetividade, de um contexto e de uma parcialidade que dele emana. Certeza, só uma: o momento influencia o ser humano e principalmente suas colocações.

Talvez seja algo meramente circunstancial, sazonal; ou talvez seja perene.

Mas não é isso que me preocupa, pois estaríamos falando da forma, se continuássemos nessa linha.

O alarmante não é a forma e sim conteúdo, é o que leva alguém, nesses dias, a declarar-se "feliz" ou "triste".

Meu (novo) amigo Leandro Matias, em seu blog, com muita propriedade falou, no seu "Ta na moda", exatamente o que penso e, pedindo licença, utilizo-me do tema central de sua tese, por estar, ao meu ver, diretamente ligada ao que tento aqui falar.

A felicidade, hoje, está ligada ao "ter", e o "não ter", por pior que possa parecer, influencia o "ser". (Aí sim) Triste, pois feliz daquele pode que dizer que "é" alguém por "ter", educação, cultura, por estar centrado em valores, digamos, superiores, como Deus, Família, Saúde, Trabalho e, por que não, Amor.

Essa foi a minha criação.

O que se vê hoje, é justamente o contrário, como bem disse Matias: "
Os nobres valores há muito caíram em desgraça. Ser? Que nada de ser, o negócio é ter. Lê-se pouco, conversa-se menos ainda, mas falar, ah, todo mundo fala muito." E adiciono: fala-se muito, mal, dos outros, preferencialmente, e para ficar mais legal ainda, fala-se sem antes saber ou averiguar fatos. Assim é mais fácil.

Será que é isso?

Estaríamos nós diante da derrocada daquilo que é tido como probo, honesto e coerente, das pessoas que genuinamente "são" ou pelo menos tentam "ser", em detrimento de uma sociedade que não mais valoriza esses ideais "parcos"?

Não acredito.

Ainda preciso pensar muito sobre esse assunto.

Por hora, meu agradecimento a Raphael, por me instigar a escrever sobre isso e a Leandro, pela idéia.


Um comentário:

Anônimo disse...

É Esaú... Estamos sendo consumidos pelo consumo! "Amufinados" pelo desuso... Esmorecidos pela tristeza do que não temos e do que não somos! É, do que nao somos! Pois tudo impõem que sejamos super-heróis.
Mesmo os que têm tudo, são triste pelo que ainda não têm e pela farsa que vivem pelo que não são!
"Tristeza... não tem fim....."